sexta-feira, 17 de julho de 2009

Redenção - parte II

Maio. Apartamento vendido. Hora de correr e escolher um apartamento pra comprar aqui e sair desse maldito aluguel. Odeio os meus vizinhos com todas as minhas forças.

Você deve estar tentando imaginar o porque desse meu sentimento. Pois bem, explicarei: uma coisa é você ter pessoas encrenqueiras que fazem barulho e se degladiam em suas casas e perturbam o sono de um bairro inteiro; outra coisa é ter pessoas nesse mesmo perfil, mas que também não são proprietários do local onde residem, e ainda alimentam uma boca de fumo. Mas como assim? Num bairro nobre, caríssimo, próximo ao centro da cidade!!! São os sem terra. Cuidado, pois essa sub-raça pode invadir a tua casa também. Chamá-los de animais seria uma ofensa aos animais. É pobreza material misturada à pobreza de espírito, daqueles que não tem jeito, só matando. Sim, eu odeio pobre.

Voltando ao apartamento... Essa foi a primeira (e tomara que também a última) vez que eu precisei consultar um corretor. Me apaixonei por um apartamento num bairro lindo ao pé da serra. Nota 10 em qualidade de vida. O condomínio tem tudo, inclusive pessoas conhecidas que trabalham com o Ed. Ele tb se encantou. Corri com todos os documentos para conseguir um financiamento no banco, fui a cartório, agências, imobiliárias. Não vi só aquele apartamento, pesquisei, procurei por outros, mas nenhum foi melhor que aquele. Fizemos a proposta, negociamos. Porém algo estranho aconteceu, não sabemos se a ganância do corretor ou do próprio dono do apartamento que desistiu do valor combinado e resolveu aumentar em 10 mil... acabamos aceitando, refizemos a proposta, mas segundo o corretor o contrato havia sido fechado com outra pessoa que aceitou pagar mais 5 mil além do combinado. Frustação, irritação e sensação de FODA-SE, bola pra frente...

Recorremos à nossa segunda opção cujo trato não teria intermediários, seria direto com o proprietário (e o valor um pouco maior que a primeira opção, porém no mesmo condomínio e na mesma configuração que o anterior, só que em um andar mais alto). carta de crédito na Caixa aprovada, mas o Ed teimou em fazer pelo banco Real, pois já somos correntistas, e blá blá blá... Me irritei com a demora da tal análise do banco Real, mandei se fuder! Vai ser com a Caixa mesmo, vamos abrir conta lá e transferir a bufunfa do Real, e adeus banquinho de merda!

Odeio bancos, odeio burocracia, odeio ter que esperar, ainda mais em uma situação em que tenho que ser bem tratada pois não estou pedindo nada, estou me comprometendo a pagar e muito!!! O benefício de ser autônoma é poder escolher o banco e a agência que te tratar melhor e mandar se fuder o resto, e ter bom nome na praça, boa reputação também faz muita diferença! Não, não estou me gabando! Ser honesta tem suas vantagens.

Não só o apartamento, mas as pessoas com quem estamos lidando (os atuais proprietários) são uma simpatia, e com o estilo de vida parecido com o nosso: ela é professora e ele engenheiro. Coincidência, né? Os filhos são uns fofos (uma raridade hoje em dia). Contrato assinado, acordo lavrado, tudo encaminhado...

Meus pais estão na mesma situação: vendendo uma casa (encrenca) pra comprar um apto. É uma encrenca, mas é o lar onde vivi quase toda a minha vida, só saí de lá quando vim pra SP. Tenho boas lembranças de lá. Infelizmente com o passar dos anos, o que era um simples bairro residencial, foi se poluindo com pessoas de má índole, foi baixando o nível, a cidade se deteriorou em corrupção, enfim, involuiu. Porém foi preciso uma invasão e assalto para que meu pai mudasse de idéia e concluísse que lá não era mais um bom lugar pra morar.
O Rio de Janeiro está condenado, afundado numa lama mais podre que a própria baía de Guanabara. Não tem jeito. Não quero voltar, apesar de sentir saudade dos amigos e família. Não existe encanto, a beleza não compensa a falta de segurança.
Desapego. Adeus casa, benvindo novo lar, mais uma vez, bola pra frente...

Eu ainda sonho com aquela casa, com o meu quarto, com a minha avó. Ultimamente tenho sonhado bastante com os entes falecidos, com mensagens enigmáticas... André e seus equipamentos high tech me dizendo que ama a família e que está feliz, como se estivesse num intercâmbio. Fico grata por saber que ele continua o meu amigo de sempre e que está cumprindo a promessa de voltar e contar um pouco da "vida nova", as suas visitas me fazem muito bem. "Eu sou mais importante do que eu imagino" foi uma das frases que escutei. Tento encaixar isso na minha vida pra ver se tem sentido.